O Noel do Salgueiro

Leonardo Falcão -

O Noel Rosa do Salgueiro, homônimo do famoso "poeta da vila".

Ele nasceu no Morro do Salgueiro em 1920. Em meio ao contexto da época de seu nascimento, foi batizado com um nome de sambista, e logo dos maiores: Noel Rosa. Mas este chamava-se Noel Rosa de Oliveira. Quando criança, frequentava as rodas de partido alto e aprendeu a tocar vários instrumentos de percussão. Sua primeira composição foi “Adeus, minha companheira” para um bloco carnavalesco da comunidade onde nasceu.

Noel Rosa do Salgueiro, assim como o da Vila Isabel, era um excelente compositor. No ano de 1948, a dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé gravou "Falam de mim", música de sua autoria, com Éden Silva e Anibal Silva, que depois foi gravada também por Elza Soares, Nana Caymmi, Alcione, entre outros grandes intérpretes.

Em 1952, compôs para a Unidos do Salgueiro o samba-enredo "Homenagem a Getúlio Vargas" e em 1955, após a fusão de duas das três escolas do Morro do Salgueiro, passou a fazer parte do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Dois anos depois, compôs "Assim não é legal", em parceria com Nilo Moreira da Silva.


Compôs com Anescarzinho (Anescar Pereira Filho) e Walter Moreira, em 1960, o samba-enredo "Quilombo dos Palmares". Já em 1963 a Salgueiro foi mais uma vez campeão com um samba de sua autoria, em parceria com Anescarzinho "Xica da Silva". A força do samba acabou estimulando Chica da Silva virar um filme dirigido por Cacá Diegues e uma novela para a Rede Manchete, reprisada pelo SBT em 2005.

No ano de 1965, Noel Rosa fez sucesso nas quadras do morro do Salgueiro com a música "Tudo é alegria", parceria com Zuzuca. Neste mesmo ano, o cantor Noite Ilustrada gravou com sucesso a música "O neguinho e a senhorita", anos depois regravada pela cantora Elza Soares.

Neguinho da Beija-Flor, Luiz Melodia, Jair Rodrigues e tantos outros interpretes regravaram suas músicas. Falecido em 1988 um mês depois de ter desfilado pela Salgueiro, Noel de Rosa Oliveira compos mais de 40 músicas e assim como o seu famigerado homônimo, é considerado um dos mais férteis compositores da história do Salgueiro.

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Notícias do Além

Natália Bittencourt -


Extraído do Blog "The Tarnished Angels"

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CASA DE CULTURA BERÇO DE NOEL

Felipe Salgado e Thiago Terra -


O Mestre Noel Rosa nasceu no dia 11/12/1910, em Vila Isabel, na Rua Teodoro da Silva, Número 30. O menino cresceu amando as ruas, as confusões e a boêmia. Mas foi no Café Vila Isabel, nas madrugadas, que compôs diversos sambas e onde se iniciou na arte das serenatas e serestas. Também foi no balaústre dos bondes que materializava sua irreverência e deboche, características marcantes de sua personalidade.


Em oito anos, Noel Rosa compôs 250 letras e músicas, que atestam a sua genialidade e inventividade, tanto quanto músico quanto letrista. Noel registrou nas suas composições elementos de cunho histórico-cultural dos anos 20 e 30, redefinindo os rumos da música popular brasileira, abrindo caminho para sambistas como Chico Buarque. Sua obra é uma antologia do patrimônio cultural brasileiro.


Nunca deixem de cultivar e contemplar as raízes das tradições da cultura popular brasileira. A arte brasileira é antropofágica, genuína... Noel Rosa foi literalmente o berço do samba, um dos maiores sambistas de todos os tempos. A síntese entre o morro e o asfalto, a marginalidade e a boêmia, marcando seu nome definitivamente na galeria dos maiores artistas que nosso país já produziu. Infelizmente, vivemos num país de memória curta, então temos que eternizar o legado de Noel através de nossa admiração e do esforço da Casa, de contribuir na formação sócio-educacional dos brasileiros. Noel Rosa é “o vanguardista marginal”.


Através do poder inclusivo da arte, o Projeto Berço de Noel visa integrar e educar os cidadãos e moradores de Vila Isabel, incutindo os valores históricos e culturais da região, transformando consciências e um mundo menos excludente e mais harmonioso.


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Carnavalesco da Vila fala sobre Noel e o Carnaval de 2010

Alex de Souza, carnavalesco da Vila


O blog Feitiço do Noel foi até o Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, na cidade do samba, para entrevistar Alex de Souza, que completará seu terceiro ano como carnavalesco da Vila.

Após o quarto lugar de 2009, um bom resultado se comparado com a nona posição de 2008, o artista disse que adorou desenvolver um enredo sobre Noel Rosa e promete grandes surpresas.

Alex revelou o processo de escolha do enredo de 2010 “ Noel: A presença do Poeta da Vila”, como está sendo a preparação para o próximo carnaval, e as suas maiores fontes de pesquisa para fazer um carnaval a altura de Noel.

De acordo com Alex, haverá uma menção ao bairro de Vila Isabel, conhecido pela sua boemia, pelas calçadas com notas musicais e que dá nome à escola. Terão elementos de associação como o violão, a cerveja para situar as pessoas na época de Noel, da boemia, dos cabarés.

Alex promete abordar a morte de Noel Rosa com humor e seu tradicional deboche, em vez de choro e lamentações e ainda revelou que a cada vez que descobria alguma coisa nova de Noel se encantava mais com a sua história.

Confira a entrevista:
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A homenagem que se transformou em desrespeito

Daniel Dantas, Tatiana Braga, Deborah Oliveira e Cristiano Meneses -

É no bairro de Vila Isabel, zona norte carioca, onde podemos encontrar o túnel Noel Rosa. Inaugurado na década de 70, ele faz a ligação entre os bairros de Vila Isabel e Riachuelo. Mas o que era pra ser uma homenagem à vida e obra do artista se tornou um grande desrespeito a sua imagem.

O túnel está completamente abandonado. Buracos no chão, goteiras, falta de iluminação e até lixo são encontrados no local. A placa que sinaliza o início do trajeto foi alvo de pichações e se tornou complicado ler o que está escrito.


Além disso, existe a violência cotidiana que causa pânico nos motoristas que passam por lá. Encostado ao túnel está localizado o morro dos macacos, ponto freqüente da guerra entre traficantes. Muitos motoristas evitam pegar esse caminho devido a assaltos e balas perdidas que já fizeram muitas vítimas nesse lugar. A falta de policiamento e a escuridão no interior proporcionam um ambiente ideal para a ação de bandidos.


Como foi dito, o asfalto está esburacado e sempre molhado, devido ao problema de goteiras que nunca é solucionado. O estudante de engenharia da UFRJ, Rafael Couto, de 26 anos, é morador do bairro de Vila Isabel e atravessa diariamente o túnel. Ele revelou que já presenciou assaltos e também batidas entre carros, causadas pela pista molhada e iluminação precária, o que evidencia a falta de manutenção. Rafael afirma que passar por lá à noite é bastante perigoso, pois não há muita movimentação de carros e nem mesmo de policiais, deixando os motoristas desprotegidos. Ao relacionar a situação do túnel com a imagem de Noel, ele julga ser um descaso com a história do poeta e também com a sociedade, que é quem vêm sofrendo atualmente.

Infelizmente, a degradação do túnel é uma referência negativa à imagem de Noel, que merece ser lembrado e homenageado de uma forma bonita e alegre, devido a tudo que criou e deixou de exemplo.

Na entrada do túnel, a placa pichada e a favela logo acima

Início do trajeto. As goteiras e o lixo no chão mostram a falta de cuidado



Já dentro do túnel, podemos ver os buracos no asfalto
















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Ilustres cantores brasileiros que gravaram o “Poeta da Vila”.

Aline Balieiro, Rafael Ferreira e Pedro Ferreira -

Na Década de 60, Maria Bethânia após grande sucesso com o show “Opinião” ao lado de Zé Kéti e João do Vale, e de gravar o primeiro LP, a “Abelha-Rainha” lança um triplo só de voz e violão intitulado: Bethânia canta Noel.

Todas essas faixas estão reunidas nesta coletânea que traz ainda um registro ao vivo de seu primeiro sucesso, "Carcará", realizado em 66, e novos arranjos com orquestra das mesmas gravações do compacto de Noel, realizadas 25 anos depois pelo maestro José Briamonte.

Inúmeros artistas o louvam até hoje, Agenor de Oliveira, cantor e compositor carioca, reconhecido como um dos melhores intérpretes da obra de Noel Rosa, presta a merecida reverência ao mestre com a gravação do CD"Agenor de Oliveira canta Noel Rosa", lançado em 98 e indicado para o Prêmio Sharp de Música de 1999. Produção independente apresenta novas leituras de 13 das mais conhecidas composições de Noel.

Não são apenas celebridades que aclamam o mestre, cidades como a de Volta Redonda, em seu aniversário, no ano de 2007, fez uma linda festa e os músicos regionais fizeram um arranjo surpreendente com o repertório completo, dividido em quatro partes, “Volta Redonda Canta Noel Rosa - 70 Anos de Saudade” reservou espaço para clássicos do mestre, entre eles, “Com Que Roupa?”, “Palpite Infeliz”, “Pierrot Apaixonado” (em parceria com Heitor dos Prazeres) e “Amor de Parceria”.

Cria da Vila teve sua primeira gravação em 1929, quando o compositor estava com 19 anos. E a última, em 1937, quando tinha 26 anos de idade. Teve apenas sete anos para dizer o que pretendia e morreu numa idade em que a grande maioria dos compositores está iniciando a carreira - diz Môa.


O secretário lembra que são 70 anos de saudade: “O mais notável em Noel é que ele teve muito pouco tempo, no entanto, compôs músicas que impressionaram pela beleza e criaram uma nova linguagem para a música popular brasileira. Estaremos mostrando um pouco de sua obra através de 18 artistas de Volta Redonda, será uma oportunidade única para a população poder conhecer um pouco de sua obra”. Em 1929, escreveu as suas primeiras composições, a embolada “Minha Viola” e a toada “Festa no Céu”, gravada por ele no ano seguinte pela Parlophon. Ainda em 1930, pela Parlophon, gravou para o Carnaval o samba “Com Que Roupa?”, vendendo 15 mil cópias! Foi um ano pródigo em produções, com mais de 20 músicas compostas, entre as quais, “Cordiais Saudações”, “Agora” e “Quem Dá Mais?”.

Tinha no improviso seu ponto forte, fazia uma “sintonia” muito grande com a platéia que o aplaudia sempre que usava de rimas precisas para completar o que ele chamava afetivamente de samba.

Seu carisma transpassa a barreira carioca, em 2006 no Teatro da Caixa,Paraná, cantores locais lançaram um cd comemorativo, cantando a trajetória do poeta. Muitos artistas lançaram cds comemorativos com músicas do poeta, entre eles: Ivan Lins, Maria Rita, Nélson Gonçalves, Martinho e Mart’nália, Beth Carvalho entre outros.

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CD Noel Rosa por Rui de Carvalho

Bárbara Lamas e Natália Louzada -

Rui passeia em Nila Isabel e "conversa" com Noel

Em 2008 o cantor e compositor Rui de Carvalho, nascido em Porto Velho, Rondônia, atualmente morador do Rio de Janeiro lançou o CD Noel Rosa por Rui de Carvalho que mereceu o seguinte comentário dos jornalistas Ubiratan Marques e Cadhu Cardoso: Um CD a altura do mestre. - “A real interpretação do samba, principalmente em se tratando de Noel Rosa, deve ser feita com muito suingue e muita manemolência e também deve ser capaz de passar a impressão do bom malandro ou boêmio, que na concepção carioca são sinônimos e Rui de Carvalho exibe com brilhantismo em um timbre de voz misto, entre João Nogueira e Agepê. É o que nos passa essa gostosa impressão, Também a forma coloquial com que as músicas são apresentadas e a firme na interpretação mostram a grandeza do intérprete, capaz de exaltar com muita elegância toda a graça que há por trás de músicas como: “Gago Apaixonado” e “Conversa de Botequim”; assim como mostra todo o romantismo sublime em faixas como: “Três Apitos” e “Fita amarela”. Rui ainda consegue um misto de alegria e tristeza na música “Feitio de Oração”, caracterizando bem a idéia de alegria numa triste melodia. Ou seja: Coisa de gente grande!”


Neste ano Rui já fez mais de dez shows em homenagem aos 100 anos de Noel. Além de Compositor e Interprete, ele é Artista Plástico e Designer Gráfico, autor de vários projetos importantes, com mais de 20 exposições individuais e 10 coletivas, com exposições realizadas no Brasil, Alemanha e Portugal. E Rui gentilmente nos cedeu uma entrevista sobre o poeta da vila:




Como começou a sua relação com a música de Noel Rosa?



Desde pequeno, quando morava em Manaus, ouvia as músicas de Noel e quando cheguei aqui no Rio em 1968, fui morar em Laranjeiras e depois comprei um apartamento na Tijuca ao lado de Vila Isabel, bem perto da rua Teodoro da Silva onde ele nasceu. Me encantei com as notas musicais nas calçadas do Boulervard 28 de Setembro e assim foi crescendo minha admiração pelo poeta.



O que diferencia a carreira e a vida pessoal de Noel de outros músicos, na sua opinião?



Vou fazer minhas, as palavras do Jornalista Sérgio Cabral: “ Qualquer pessoa que se dê ao trabalho de analisar a evolução da música brasileira verá que ela dá um salto quando surge Noel Rosa. Verá que, a partir de Noel nasce uma nova música, um novo samba. É que Noel Rosa foi dotado daquela capacidade reservada de raríssimos artistas – a de ser ao mesmo moderno e eterno”.



Noel viveu apenas 26 anos, mas sua carreira deixou um legado. Qual você considera a maior contribuição de Noel Rosa para música brasileira?




A simplicidade, a crônica, a belezae a genialidade de suas letras e melodias. Teve apenas sete anos para compor quase trezentas músicas e quase todas registradas ou gravadas, fora às que ele vendeu ou não assinou como parceiria. Morreu numa idade em que a maioria dos grandes compositores ainda estão começando.




Você acha que Noel é devidamente reconhecido por suas contribuições?



Sem dúvida alguma! A música de Noel continua mais viva do que nunca e não tem esse negócio de idade. As crianças cantam e adoram Noel e os mais velhos também. Tem sempre um artista gravando ou fazendo uma releitura de Noel e sempre será assim.



Qual sua composição predileta, e por que?



Muitas, cada uma tem um toque de genialidade! Noel é um ser iluminado.



Rui de Carvalho cantando Noel Rosa, Palpite Infeliz:




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Noel Rosa

Noel Rosa foi um marco na música popular brasileira. Um dos responsáveis pelo samba moderno e por ter trazido o samba as rádios, além de aproximar o samba do morro com o asfalto. Suas letras são atuais até hoje, assim como os textos de Shakespeare, pois tratam de temas inerentes ao ser humano. Apesar disso, o cantor, compositor, bandolinista, violonista ainda é pouco conhecido pela grande maioria das pessoas. Mesmo tendo vivido apenas 26 anos, o suficiente para deixar seu nome entre os maiores do samba carioca, Noel deixou mais de 200 composições gravadas. Entre elas inúmeros clássicos indiscutíveis como "Palpite Infeliz", "Feitiço da Vila", "Conversa de Botequim", "Último Desejo", "Silêncio de um Minuto", "Pastorinhas" e "Com Que Roupa?". Em 2010, se estivesse vivo, Noel Rosa completaria 100 anos. Para comemorar esta data decidimos fazer este blog em sua homenagem.

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