O centenário, no palco.

Daniella Silva -

Para comemorar com chave de ouro o centenário de um dos mais nobres compositores da nossa música, há quem não meça esforços. O caso dessa personagem é assim: "por amor mesmo", como ela mesma diz. Com pouca renda e quase sem nenhum patrocínio, a CYa. Grita Absoluta está em cartaz com a peça Noel Rosa - o poeta, o músico, cronista de uma época.
A diretora, produtora, amante e faz-tudo Cybele Giannini(foto), a partir de 2006 começou uma trajetória diferente, inusitada e apaixonante. Com alguma influência de um professor nos anos 70 que cantarolava Noel em suas aulas, e após ter lido em 90 a sua biografia escrita por Carlos Didier e João Máximo, a entrevistada partiu para a escrita desse texto que tem encantado o público de São Paulo. Sim, porque no Rio – berço de Noel - onde a peça deveria estar em cartaz no próximo ano, a CYa. não tem condições de vir. O espetáculo além de emocionar, conta toda a história da vida do músico e aborda a origem de, pelo menos, 30 das músicas que ele compôs. Não é incrível? Para isso, Cybele conta com a força e boa vontade de toda a sua equipe e com a maravilhosa participação do grupo JB Samba. Essas e outras curiosidades sobre as dificuldades e o prazer de manter uma peça que exige tanto como essa homenagem, Cybele conta agora. Confira.

1 - De onde veio a inspiração para homenagear um compositor como Noel Rosa?

Tive, no cursinho pré-vestibular, nos anos 70, um professor que cantava em classe, e um dos compositores favoritos dele era o Noel. Dessa forma, conheci melhor a obra dele. Nos anos 90, comprei a biografia de Noel, do Carlos Didier e do João Máximo, que aí me mostraram o lado humano de Noel, o humor malandro, a intensidade de viver. Então, em 2006, decidi escrever esta peça e para isso comecei a ler e ver tudo que se referia a ele. Não é preciso dizer que fiquei mais apaixonada. Se eu o tivesse conhecido, certamente seria uma das inúmeras mulheres que caíram em sua lábia.

2- O Noel teve alguma influência na sua vida?

Sempre gostei muito da música dos anos 30, 40, 50, apesar de não se tratar da minha geração, mas da minha avó e da minha mãe, mas era só isso até eu escrever a peça. De 2006 para cá, eu "como" e "durmo" Noel Rosa. Para você ter idéia da importância desse projeto para mim, quando fomos convidados para, em 2007 (70 anos da morte dele), fazermos uma pré-estreia no Centro Cultural São Paulo, vendi meu carro para confeccionar figurinos e alugar microfones, etc. Desde lá, não parei mais. Esperei 2008 inteiro, mas foi só neste ano que conseguimos ficar 2 meses em cartaz no Sérgio Cardoso, mais 2 no Corinthians e agora vamos para o Avenida. Contamos com a Lei Rouanet para patrocínio, mas, como não somos conhecidos, ninguém quer dar-nos essa verba, que nos ajudaria muito, já que tudo é tirado do nosso bolso; quase nada entra. É amor mesmo.

3- Já fez trabalhos que envolviam grandes nomes como Nelson Rodrigues e Chico Buarque, fazer Noel Rosa é diferente?

Fazer Noel é muito diferente. Foi o melhor (e mais trabalhoso) espetáculo que já fizemos, em razão das músicas. Em Suburbano Coração, usávamos playback; agora, não. Temos de cantar direitinho acompanhados pela banda. Então fomos muito dedicados, porque, no elenco, o único cantor é o Glau Gurgel (foto), que faz o Noel. Todos os outros são atores que cantam. Mas tivemos de aprender para não desmerecer o nosso mestre.

4- A pesquisa para a elaboração da peça foi muito vasta. Você conheceu Vila Isabel ou teve contato com alguém do bairro que foi berço de Noel Rosa?

Eu fui a um bar na Vila Isabel há muitos anos, mas não cheguei a ver a estátua de Noel, nem a calçada (só por filme e fotos). Tenho muitos amigos no Rio, mas ninguém da Vila. Para elaborar esse roteiro, fiz uma pesquisa profunda em várias biografias (dele e de seus companheiros), filmes, CDs, etc.

5- Qual é a expectativa e a sensação de estender a temporada de um teatro para outro?

No Sérgio Cardoso, a temporada foi maravilhosa; no Corinthians, o público diminuiu um pouco em razão da distância e do desconhecimento de que no clube há um teatro. Agora, no Avenida Club, em Pinheiros, esperamos que lote de novo.
A sensação? É maravilhosa!

6- Em 2010 é o centenário do nosso homenageado. O que vocês esperam de público para esse ano e até quando a CYa. pretende ter a peça em cartaz?

Meus planos seriam continuar até dezembro de 2010, no aniversário de 100 anos, mas preciso conseguir patrocínio, porque a CYa. tem 12 atores e 7 músicos, fora os técnicos e assessores. Muitos não aguentam e desistem pela falta de cachê. Para bancar esse pessoal, é difícil. Mas há aqueles que estão desde o início da CYa. e outros muito bons que entraram que topam continuar mesmo com quase nenhum benefício (nosso pagamento é a divisão da bilheteria, depois de tirarmos os encargos).

7- Existe algum projeto da peça passar pelo Rio de Janeiro no próximo ano?

Pois é, o que eu mais queria era levar esta peça para o Rio, mas onde conseguir verba para isso? O projeto existe, sim, claro, mas, sem dinheiro, com o que temos de cenário e mobiliário seria inviável. Na semana passada, até fomos para Araras apresentar o espetáculo, mas foi uma loucura. Além de muito cansativo, porque os atores é que carregam e montam cenários, precisaríamos de dinheiro para pagar transporte de todo o material e do pessoal.


Fotos: ROGER SPOCK

Assista ao video da Companhia:

Noel Rosa

Noel Rosa foi um marco na música popular brasileira. Um dos responsáveis pelo samba moderno e por ter trazido o samba as rádios, além de aproximar o samba do morro com o asfalto. Suas letras são atuais até hoje, assim como os textos de Shakespeare, pois tratam de temas inerentes ao ser humano. Apesar disso, o cantor, compositor, bandolinista, violonista ainda é pouco conhecido pela grande maioria das pessoas. Mesmo tendo vivido apenas 26 anos, o suficiente para deixar seu nome entre os maiores do samba carioca, Noel deixou mais de 200 composições gravadas. Entre elas inúmeros clássicos indiscutíveis como "Palpite Infeliz", "Feitiço da Vila", "Conversa de Botequim", "Último Desejo", "Silêncio de um Minuto", "Pastorinhas" e "Com Que Roupa?". Em 2010, se estivesse vivo, Noel Rosa completaria 100 anos. Para comemorar esta data decidimos fazer este blog em sua homenagem.

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