Intertextualidade entre as músicas: “Para que mentir?” de Vadico e Noel Rosa e “Dom de Iludir” de Caetano Veloso

Luanda Melo -

Para que mentir?
(Vadico e Noel Rosa)


Para que mentir
tu ainda não tens
Esse dom de saber iludir?
Pra quê? Pra que mentir,
Se não há necessidade
De me trair?

Pra que mentir
Se tu ainda não tens
A malícia de toda mulher?
Pra que mentir, se eu sei
Que gostas de outro
Que te diz que não te quer?

Pra que mentir tanto assim
Se tu sabes que eu sei
Que tu não gostas de mim?
Se tu sabes que eu te quero
Apesar de ser traído
Pelo teu ódio sincero
Ou por teu amor fingido?

Pra que mentir (noel rosa)



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Dom de Iludir
(Caetano Veloso)

Não me venha falar na malícia
de toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia
de ser o que é.
Não me olhe como se a polícia
andasse atrás de mim.
Cale a boca, e não cale na boca notícia ruim.
Você sabe explicar
Você sabe entender, tudo bem.
Você está, você é, você faz.
Você quer, você tem.
Você diz a verdade, a verdade
é seu dom de iludir.
Como pode querer que a mulher
vá viver sem mentir.

caetano veloso dom de iludir



A intertextualidade é como se fosse um "diálogo" entre textos, pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica na identificação e no reconhecimento de remissões a obras ou a trechos dela.

O poema-canção “Pra que mentir?” foi escrito por Noel Rosa em 1934, em parceria com o compositor paulista Osvaldo Glogliano, o Vadico. A música foi feita para Ceci, o grande amor de Noel. Dama de cabaré, Ceci chegou a viver um romance com o Poeta da Vila, mas, mesmo assim era de todos (e de ninguém). "Pra que mentir?" foi uma de suas últimas músicas, feita ao lado de Vadico.

Em 1982, Caetano Veloso compôs Dom de Iludir, estabelecendo uma imaginária correlação dialogal com o poema de Noel. A música de Caetano Veloso mantém um diálogo explícito com a de Vadico/Noel Rosa, como muitos poemas mantêm interação. O eu - lírico feminino de “Dom de Iludir” ironiza as acusações feitas em “Pra que mentir” expondo sua ideologia machista.

Noel Rosa

Noel Rosa foi um marco na música popular brasileira. Um dos responsáveis pelo samba moderno e por ter trazido o samba as rádios, além de aproximar o samba do morro com o asfalto. Suas letras são atuais até hoje, assim como os textos de Shakespeare, pois tratam de temas inerentes ao ser humano. Apesar disso, o cantor, compositor, bandolinista, violonista ainda é pouco conhecido pela grande maioria das pessoas. Mesmo tendo vivido apenas 26 anos, o suficiente para deixar seu nome entre os maiores do samba carioca, Noel deixou mais de 200 composições gravadas. Entre elas inúmeros clássicos indiscutíveis como "Palpite Infeliz", "Feitiço da Vila", "Conversa de Botequim", "Último Desejo", "Silêncio de um Minuto", "Pastorinhas" e "Com Que Roupa?". Em 2010, se estivesse vivo, Noel Rosa completaria 100 anos. Para comemorar esta data decidimos fazer este blog em sua homenagem.

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